Presidente da Junta de Freguesia gaiense que lidera o ranking da terceira divisão nacional, série C, Joaquim Leite é um homem orgulhoso da disciplina dos jogadores do SC Coimbrões e do CD Candal. Consciente das dificuldades que atingem a grande maioria das colectividades e, muito especialmente, as desportivas, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Marinha lamenta não poder ajudar mais os seus dois clubes “do coração”. Sim, porque apesar de já ter passado pela direcção do SC Coimbrões e de, enquanto ciclista, ter pedalado por esse clube, Joaquim Leite afirma não ter preferência por qualquer um dos dois, e ser inclusivamente sócio de ambos. Ver os jogos é que, lamenta, nem sempre pode. Porque, se pudesse, faria tudo para ver Coimbrões e Candal lutarem pela liderança da série e, quem sabe, pela subida à segunda divisão.
Os bons resultados do CD Candal e do SC Coimbrões reflectem-se, de algum modo, na identidade da freguesia?
É um motivo de orgulho, para mim, que sou presidente de Junta, presidir uma freguesia que tem dois clubes na terceira divisão nacional. Mas o mais importante é que são clubes que, na sua forma de gestão, e pela sua maneira de estar, nunca dão muitos problemas ao município de Vila Nova de Gaia, como alguns clubes, que já lutaram na terceira e na segunda divisão, acabaram por dar. Eu espero que as actuais direcções continuem a gerir bem estes clubes, porque é um orgulho para o presidente de Junta e para Santa Marinha.
Ambiciona ver algum destes clubes (ou ambos) a subirem à segunda divisão?
Eu penso que, sim, eles podem ir mais longe, mas começa a ficar apertado em termos de orçamento. A Junta não tem possibilidades de dar mais subsídios do que aqueles que dá Gostaríamos de poder ajudar mais, de estar sempre com eles, em momentos especiais. Por exemplo, o Candal tem duas equipas da formação nos nacionais, pelo que tem que fazer deslocações de uma dimensão bastante acentuada e normalmente solicitam à Junta apoios, aos quais nós muitas vezes não podemos corresponder. Eu estou muito agradecido aos trabalho das direcções, já que cada vez mais o voluntariado está a escassear. É claro que as direcções têm problemas, mas eu pedia que eles mantivessem a postura que têm tido até agora, porque o desporto está muito mau, e pessoas como as que existem nas actuais direcções, são motivo de orgulho para Gaia e para Santa Marinha.
Ainda faltam infra-estruturas físicas a esses clubes, para que possam evoluir?
Eu penso que Gaia, nas infra-estruturas desportivas, vai 50 por cento à frente em relação aos outros concelhos. O Candal tem um estádio novo, que teve que ser construído pela Câmara, na sequência das más condições do antigo Estádio Rei Ramiro. Ao Coimbrões, falta-lhe algumas infra-estruturas, mas o senhor Presidente da Câmara já se comprometeu com a direcção para as concretizar. Falta-lhes balneários mais adequados e renovados, falta-lhes uma bancada também. Mas isso são coisas às quais o senhor Presidente da Câmara está atento, já houve comprometimentos nessa área e estou convencido de que aquilo que ele promete, vai cumprir. O Candal tem tudo. Ainda há poucos dias cedemos um subsídio para fazer um furo que vai permitir ao clube poupar bastante em água e que se vai revelar uma mais-valia para que eles possam fazer uma melhor gestão e aproveitar as verbas para suportar as deslocações de que eu há pouco falei.
Costuma assistir aos jogos?
Sim, quando posso. Mas aos sábados e domingos tenho compromissos da autarquia, que nem sempre me permitem.
Tem preferência por algum?
(Risos) Vou aos dois. Não tenho preferência por nenhum. Casei no Candal, desenvolvi a modalidade do ciclismo no Coimbrões, fui presidente da direcção, fiz muito por ele. Mas agora sou dos dois, como presidente de Junta. E sou sócio dos dois.
Que perspectivas é que tem acerca do desempenho dos clubes para esta época, tendo em conta que o Coimbrões está actualmente na primeira posição e o Candal na terceira?
Eu penso que os objectivos dos dois clubes são manter-se na terceira divisão. Esses são também os objectivos da Junta de Freguesia. Se, por ventura, aparecer a oportunidade, que está prestes a aparecer, para eles subirem de divisão, é claro que eles têm que aproveitar. Mas não é fácil sustentar um clube na segunda divisão. Os jogadores passam a ser mais caros, as deslocações são mais acentuadas. Penso que não está nos objectivos deles.
In Jormal Audiência.
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