Vila Nova de Gaia

 

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2006-07-19

Museu Militar na Serra do Pilar.

In "O Primeiro de Janeiro"

  

O Museu Militar vai abandonar as antigas instalações da PIDE na Rua do Heroismo e será transferido para o claustro da Serra do Pilar. O anúncio foi feito pelo general chefe do Estado Maior do Exército que assume a necessidade de garantir melhores condições para o espólio.

  

O apelo feito há um ano pelo director do Museu Militar do Porto para aumentar as instalações do Museu Militar do Porto já surtiu efeito e ontem o general chefe do Estado Maior do Exército avançou que o museu será transferido da Rua do Heroismo, onde ocupa as antigas instalações da PIDE, para o claustro da Serra do Pilar em Gaia. Valença Pinto não assume para já quando é que o novo espaço poderá ser aberto ao público, mas admite que estão a ser feitos esforços para a transferência decorrer em breve. Já na próxima semana uma equipa do Exército vai começar a inventariar as obras necessárias de adaptação da estrutura à nova funcionalidade.
Valença Pinto reconhece que o espaço actualmente ocupado pelo Museu Militar do Porto não é suficiente para expor nas melhores condições todo o espólio reunido e com a transferência tem como expectativa a promoção de actividades culturais que completem a exposição permanente. No último ano as instalações da Rua do Heroismo foram visitadas por pouco mais de 6000 visitantes e com o novo espaço espera-se que este número aumente significativamente. “Será um melhor caminho para o Museu Militar”, insistiu Valença Pinto à margem da cerimónia de extinção da Região Militar do Norte.
O museu foi instalado no Porto em 1980, mas nunca chegou a cumprir todos os objectivos para que foi criado. Na cerimónia dos 25 anos o actual director, o coronel Manuel Carvalho, recordou as dificuldades em expor todo o espólio, sendo uma parte significativa vista apenas em exposições itinerantes, e apontou como lacuna a inexistência de um auditório para conferências, um objectivo plasmado no programa do primeiro director mas que nunca avançou. Nos últimos anos a dinamização das actividades do museu tem sido feita com exposições itinerantes pedidas por diversas instituições, nomeadamente autarquias. Uma das que mais percorre o país refere-se aos testemunhos de guerra e consegue mais do que o dobro de visitantes da exposição permanente. Já na Rua do Heroismo é possível ver colecções de armamento ligeiro, equipamentos, uniformes e artilharia pesada desde o século XVI. Há ainda a mostra de uma colecção de miniaturas de soldadinhos que retrata a evolução do guerreiro desde a antiguidade até à época contemporânea.
O número insuficiente de recursos humanos para projectar o Museu Militar é outra das reivindicações do major Manuel Carvalho. O director reconheceu, na cerimónia dos 25 anos, que ainda é “um assunto candente” e referiu que o primeiro passo só foi dado em 1992, altura em que a Liga de Amigos do Museu Militar do Porto ajudou na constituição de um quadro orgânico.

Região Militar do Norte extinta
O general Valença Pinto dirigiu-se ontem ao Porto para a cerimónia da extinção da Região Militar do Norte formada em 1836 e sedeada no quartel da Praça da República. Este edifício continuará a receber militares, mas por decisão do Ministério da Defesa passam a ser chefiados pelo comando do pessoal, actualmente a funcionar a partir de Lisboa. A reorganização orgânica das estruturas do exército, publicada há um mês em Diário da República, foi justificada com a necessidade de racionalizar os recursos. Na prática o órgão que gere há décadas o edifício da Praça da República deixa de existir a partir do próximo sábado.
“A Região Militar do Norte teve uma importância muito grande, mas actualmente perdeu a sua missão”, justificou o general chefe do Estado Maior do Exército, acrescentando que as funções que lhe restam, nomeadamente receber a comunidade civil no edifício do Ministério da Defesa, podem ser feitas pela nova chefia. “Na vida das instituições e em particular no Exército as mudanças são processos naturais de ajustamento dinâmico”, referiu para desvalorizar a extinção de mais uma estrutura.
O comandante da Região Militar Norte que cessa funções falou aos militares e funcionários que ainda dirige sobre os novos contextos da conjuntura nacional e internacional que obrigaram a repensar todo o Exército. Como o principal objectivo do Ministério da Defesa é a constituição de uma força operacional pronta a ser empenhada sobretudo em missões de apoio à paz fora da fronteira, explicou que as regiões militares deixaram de fazer sentido. Até sábado duas outras estruturas idênticas, uma em Lisboa e outra em Évora, são também extintas.

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Equilíbrio
Despesas
Sem reclamar a continuação da Região Militar do Norte, o comandante que cessa funções deixou contudo a ideia que, sendo necessário ponderar sobre as necessidades básicas do país, é preciso “encontrar um equilíbrio para as despesas a efectuar, balanceando-as entre o mínimo custo de um simples pedaço de pão de munício e de um caldo mal adubado e o proibitivo custo do mais sofisticado sistema ou plataforma de armas”. Sempre com cautela durante todo o discurso, o comandante Eduardo Teixeira acrescentou contudo que “nada tem que reivindicar, a não ser o direito aos valores que nos enformam, porque o grau de empenhamento e meios financeiros e materiais disponibilizados serão sempre da decisão do poder político democraticamente eleito.

 

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